A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 11/11/2022

Em dezembro de 1948, o sociedade conheceu um dos documentos mais impor-tantes para a história mundial: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo conteúdo assegura a dignidade humana a todos. Entretanto, a mulher, inferioriza-da através da romantização nos contos de fadas, não vivencia o direito constitu-cional na prática, o que representa um grave problema. Com efeito, para solucio-nar o impasse, há de se combater a invisibilidade social e a omissão estatal.

Diante desse cenário, a indiferença da sociedade afeta esse grupo marginaliza-do. Nesse viés, Simone de Beauvoir - expoente filósofa francesa - disserta que existe um apagamento crônico das minorias, que são tornadas irrelevantes no co-tidiano. Essa invisibilidade afeta o público feminino, na medida em que as histórias infantis propôem uma visão machista e preconceituosa, em que a submissão ao homem é a decisão correta a ser tomada. Assim, não é razoável que, embora objetive ser nação desenvolvida, diversos países convivam com o problema da inferioridade das mulheres.

Ademais, Noberto Bobbio, em sua obra “Dicionário da política”, entendia que as autoridades públicas devem não apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua deles na prática. Ocorre que, em variadas na-ções, a ideologia do filósofo não é experimentada pelo gênero feminino, já que, mesmo com a previsão legal da dignidade, esse grupo marginalizado sofre com as concepções patriarcais, impostas não só com o advento dos contos de fadas, mas desde o início da civilização, sendo privadas de liberdade de expressão, igualdade perante os homens e respeito pelos seus valores morais. Desse modo, a insufici-ência de políticas públicas torna o direito de respeitabilidade uma utopia na vida das mulheres.

Portanto, para garantir os direitos previstos em 1948, o Ministério Público deve dar visibilidade social ao público feminino, por meio de realização de políticas pú-blicas, como ações sociais que coloquem as mulheres na mesma posição social em relação ao sexo oposto, como uma maior participação na política e paridade em direitos. Dessa forma, a invisibilidade denunciada por Beauvoir deixará de ser, em breve, a realidade na contemporaneidade