A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 19/04/2023

Os contos de fada possuem uma grande influência cultural, agindo principalmente como um fixador de ações, costumes, normas e ideias. No entanto, ao longo dos séculos vem impondo na sociedade a representação da mulher como frágil, dependente, e refém de idealizações machistas, colaborando para a estagnação do processo de independência feminina e perpetuação de esteriótipos. Dito isso, é necessário analisar as concepções sexistas impostas pelos meios de comunicação e a naturalização da mulher como inferior.

Em primeiro lugar, os contos de fadas devem ser entendidos como uma representação fidedigna da sociedade no contexto de sua origem - Século XVII - período marcado pelas intensas modificações sociais e pela repressão ao que diz respeito à mulher. Em a Bela Adormecida, um clássico dos irmãos Grimm, suas conquistas são pautadas naquilo que um homem acredita ser necessário, representando-a como alguém submissa, de beleza imensurável e refém de adversidades que apenas seu príncipe pode resolver. Desse modo, com o passar do tempo essa representação ferrugenta se consolidou no corpo social e passou a ser transmitida com mais frequência e naturalidade, principalmente com o advento da televisão e outros meios de propaganda.

Ademais, a influência midiática impulsionou a representação da feminilidade a partir de comerciais e propagandas, que assim como nos contos, identificam a mulher como um símbolo sexual que é incapaz de se sustentar, questionando sua capacidade intelectual e a direcionando aos afazeres relacionados ao lar, inibindo seu progresso profissional e social. Assim sendo, as histórias mascaram essa realidade com finais felizes que distorcem a realidade de submissão no qual a mulher está inserida, e a mídia compactua ao banalizar a luta por igualdade e ao disseminar de maneira implícita o papel feminino na sociedade.

Em suma, a representação feminina é atrelada aos desejos masculinos e disseminados desde a infância. Para superar isso, é necessário acabar com os esteriótipos vinculados a mulher, além da reeducação por intermédio de organizações públicas, e revisão coletiva sobre o que é transmitido pela mídia, garantindo que a, longo prazo, as mulheres estejam livres dessas adversidades.