A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 17/02/2024
``O mundo é dos homens´´, tal ditado popular parece ser vivenciado continuamente no que concerne aos clássicos contos de fadas. A representação da inferioridade é diversamente evidenciada em narrativas que romantizam comportamentos abusivos e a incapacidade feminina de atingir o sucesso pessoal sem um homem intercessor. Sendo assim, essa problemática tem como consequência a deturpação de certos valores sociais formados na primeira infância, tão importante para absorver determinados valores e princípios.
Primeiramente, é necessário evidenciar que os contos de fadas servem como uma bússola moral,juntamente com as fábulas. Sendo a grande diferença que o primeiro tem em sua maioria um epílogo que consiste na mocinha sendo salva pelo grande amor. Disto isso, a história demonstra desalentos e dificuldades da vida previamente ao herói, que modifica toda sua estrutura social. Enquanto o segundo embasa valores de esforço próprio e mérito individual, como na fábula do Coelho e da Tartaruga ou A Cigarra e a Formiga.
Paralelamente a isso, de acordo com Jornal USP,a primeira infância,que consiste dos primeiros meses de vida até até os 6 anos da criança são fundamentais para a formação da personalidade do indivíduo de acordo com o observado e vivenciado. Portanto, quais os valores passados à futura geração quando advoga-se que o cárcere privado, beijos não consensuais e a liberdade financeira não pode ser obtida por mérito próprio mas ao encontrar um parceiro como indiretamente é evidenciado nas dramaturgias da Bela e a Fera, A Bela Adormecida e até mesmo Cinderela? Sendo assim, meninas e meninos crescem e abstraem que há uma hierarquia de gêneros a qual implica que a felicidade da mulher está condicionada ao parceiro.
Por isso,torna-se vital que surjam novos enredos que empoderem a dinâmica de jovens princesas independentes como no caso de Frozen:cujo enredo foca em duas irmãs,enfrentando as adversidades juntas. Assim, é mister que os estúdios cinematográficos e produtoras literárias elaborem e distribuam novos conteúdos pautados na independência feminina através dos cinemas e saraus, acentuado por um forte marketing digital,como feito no filme supramencionado.