A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 02/04/2024

Desde a infância, garotas são expostas a desenhos com histórias de caráter machista, evidenciando a presença enraizada do machismo estrutural na sociedade. Hordiernamente, com a existência de produções de tal caráter, há a romantização dos contos de fadas- nome dado à produções fantasiosas-, visto que o mesmo coloca a mulher em uma posição frágil. Assim, essa questão influência diretamente o modelo social do coletivo. Logo, é necessário reverter a problemática proposta.

Diante desse cenário, é preciso pontuar a relação entre o machismo estrutural e a problemática referida. Na obra infantil, A Bela Adormecida, produzida por Charles Perraul, conta-se a história de uma jovem que acaba sendo envenenada e só consegue acordar com o beijo de seu príncipe encantado. Com essa óptica, o conto coloca a mulher em uma posição rúptil, o qual impõe a ideologia que a figura feminina precisa ser salva pela figura masculina. Fora da obra, o patriarcado age da mesma forma, diminuindo a capacidade da mulher. Portanto, a partir do momento que há uma romantização, a situação é normalizada.

Sendo assim, o livro “Mulheres, Mitos e Deusas”, da socióloga Martha Robles, expõe que, a objetificação do feminino nos contos é muito clara, já que a maioria delas seguem um padrão. Desse modo, a sociedade constrói um roteiro para impor na mulher um arquétipo, a tornando um objeto. Perante a esse situação, a desconstrução do problema destacado começa com a mudança de comportamento do coletivo.

Conclui-se, portanto, que é necessário destacar um alerta para a romantização dos contos de fadas. Para isso, cabe as produtoras/autores, como a Diney, reformular a narrativa do conto, e a sociedade desconstruir a ideologia patriarcal, para que as histórias sejam dignas de um foco longe da problemática. Feito isso, as garotas poderão se espelhar em uma fantasia no qual as personagens sejam vistas fora da imposição do homem.