A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres

Enviada em 06/08/2025

“Minha irmã Ana, suba, eu lhe peço, no topo da torre para ver se meus irmãos estão chegando… se os vir, lhes acene para que se apressem.” Fora do trecho retirado do conto “O Barba azul”, observa-se a perpetuação da romantização a cerca do estereótipo patriarcal de mulher frágil, esterilizada, passiva. Problemática essa que para além, também traz consigo o enaltecimento de padrões de beleza.

É pertinente elencar que, em “Cinderela”, enquanto esta orfã, pobre, empregada da própria madrasta e irmãs: seu grande objetivo era ser preterida por um príncipe encantado. Portanto, com ajuda mágica consegue ir ao baile e conquistar sua alteza, que jamais lhe daria atenção em outros contextos. Dado o fim da magia, ela volta a realidade precária e inferiorizada, a espera e esperança de um reencontro e posterior final feliz. O casamento é sua única salvação; ao passo que a trama reforça os estereótipos de jovem dócil, afeita ao lar; e o patriarcado contribui com a imagem de mulher submissa, serena, destinada a vida doméstica, e obviamente, associada a um ideal de beleza e feminilidade.

Em detrimento a essa questão, temos a icônica frase literária: “espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?” da história “Branca de neve e os sete anões”, dita pela Rainha Má. Há também as irmãs da Cinderela: são feias e caricatas, que fogem a norma da etiqueta social. Este comportamento comum nas obras, corrobora com ideologias de padrões de beleza, incentivando a rivalidade feminina, colocando-nas em pé de comparação e tentativa de pertencimento. Embora, inalcançada já que as narrativas não se desdobram num tópico a desenvolver, ou mesmo ser questionado. A princípio, a beleza está na figura branca, magra, de lábios vermelhos e cabelo cor de mogno.

Evidencia-se, portanto, a criação de novas narrativas que disseminem equidade, e quebra de papéis de gênero, a fim de que haja mais protagonistas como Frozen, ou Merida - das quais o enredo central não é pautado em matrimônio e/ou o homem herói. Cabe a Disney - companhia multinacional de mídia - investir em adaptações que ratificam os clássicos contos e estrea-los como reprises e live-action, atingindo assim o amplo público infanto, juvenil e mesmo adulto.