A romantização nos contos de fadas: a representação da inferioridade nas mulheres
Enviada em 11/08/2025
A obra literária " Entre a espada e a rosa “, da poetisa Marina Colasanti, retrata, em um de seus contos mágicos, uma personagem que vive eternamente em um leque, onde ela permanece dia e noite tocando músicas, sem expressar qualquer emoção para não estragar a estética do leque. Esse cenário traça um paralelo com a romantização nos contos de fadas. Tal panorama evidencia a romantização da inferioridade feminina e as consequências desse entrave na sociedade brasileira.
Sob esse viés, é fulcral ressaltar que a sociedade brasileira é profundamente marcada pela presença da romantização de inferioridade feminina, causada pelo sistema patriarcal ainda presente no país, que pode ser evidenciada até mesmo em determinados contos de fadas. No conto de fadas " A Bela Adormecida “, de Charles Perrault, observa-se uma representação da mulher como uma figura dependente, que necessita do príncipe para despertar e ter sua vida transformada. Dessarte, pode-se perceber que a idealização da inferioridade feminina em contos de fadas reforça a visão da mulher como indefesa e subordinada.
Ademais, é primordial destacar as consequências deste problema para a sociedade brasileira, como o reforço de uma visão opressora que contribui para as desigualdades de gênero no Brasil. Segundo a escritora Gloria Jean Watkins, o patriarcado está enraizado na dominação e no controle, e se manifesta nas práticas culturais que perpetuam a desigualdade de gênero. Deste modo, é notório que a idealização da inferioridade feminina em contos de fadas é uma prática cultural que promove a perpetuação da desigualdade de gênero na sociedade brasileira.
Portanto, pode-se concluir que é imprescindível que seja promovida a conscientização de que a representatividade feminina como inferior em práticas culturais reforça a persistência da desigualdade de gênero na sociedade brasileira. Assim, a conscientização coletiva contribuirá para a solução da permanência desses estereótipos, promovendo a igualdade de direitos para a população brasileira.