A saúde bucal dos brasileiros
Enviada em 22/01/2022
Na obra “O Príncipe”, do diplomata Nicolau Maquiavel, é postulada a ideia de que os governantes devem agir de modo a garantir o bem universal. No entanto, ao analisar a conjuntura brasileira, constata-se o oposto da premissa supracitada, pois a saúde bucal dos brasileiros se encontra fragilizada, instituindo um grave problema que, por debilidade reflexiva dos regentes e do corpo social, configura um estorvo que fere a dignidade isonômica. Nessa ótica, cabe verificar como a negligência governamental e a falta de informação constituem esse impasse no país hodierno.
Sob esse panorama, percebe-se que a sociedade não dispõe de meios que assegurem os termos presentes na Constituição de 1988, a qual afirma que todo cidadão tem direito à saúde de qualidade. Porquanto, de acordo com Mc Sid, um dos maiores críticos da atualidade brasileira, o governo não investe nas causas essenciais da federação, tendo por base a dignidade da pessoa humana. Com isso, diante de tal fato, dificulta-se a consolidação da isonomia constituinte em decorrência da carência de ações que disponibilize, de forma igualitária entre as classes sociais, a assistência médica bucal, não vinculada pela falta de investimentos públicos. Nesse sentido, a escassez de aplicação de recursos no Sistema Único de Saúde (SUS) demonstra a inércia estatal do país e o descaso com os cidadãos de baixa renda, restringidos dos benefícios sociais, por exemplo, o acesso a consultas gratuitas em consultórios odontológicos, visto que esse atendimento é caro. Destarte, o problema perdura no Brasil.
Ademais, é perceptível a lacuna informacional, acarretada pelos veículos noticiosos, como mais um agente responsável pela calamidade em debate. Nesse contexto, vale salientar o filósofo Sócrates, que afirma que os erros são consequência da ignorância humana. De maneira análoga, os brasileiros, especialmente os moradores de rua desprovidos de escovas e cremes dentais, sem informações perante os malefícios das condições inadequadas da saúde bucal, como a gengivite, limitam-se a extinguir o problema, por meio da não execução da higiene oral diária. Consoante à pouca relevância que o tema recebe, recorrente da disseminação audiovisual insuficiente de conhecimentos em âmbito social, agravando o afinco da temática. Logo, vê-se a importância informativa para reverter o estorvo.
Portanto, fazem-se necessárias ações que atenuem esse quadro deletério. Assim, cabe ao governo federal, administrador executivo do país, a destinação de mais capital ao SUS, mediante verbas do cofre público, com o fito de disponibilizar atendimento médico bucal igualitário e, eventualmente, prevenir a violação dos direitos sociais inerentes. Além disso, ele deve providenciar a distribuição de escovas e cremes dentais aos mais carentes, bem como campanhas que politizem todo o corpo social acerca dos malefícios da não execução da higiene oral. Deste modo, será possível minimizar o óbice em pauta.