A saúde bucal dos brasileiros
Enviada em 01/02/2022
O Brasil é o país com maior número de dentistas, 19% dos profissionais do mundo estão aqui conforme dados do (CFO) Conselho Federal de Odontologia. No entanto, esse grande número de profissionais formados não resulta em mais acesso aos serviços odontológicos pela maior parte da população. Outrossim, a saúde bucal e a valorização do sorriso são somente para uma parcela seleta e privilegiada de brasileiros que pode pagar por um tratamento odontológico. Por conseguinte, contribuem para o problema a falta de educação da população, relacionada às medidas preventivas e a falta de investimento das autoridades no atendimento público.
Primeiramente, cabe destacar a importância dos cuidados com a saúde bucal, pois, como todos os outros sistemas do corpo humano, a boca também necessita de atenções contínuas. Afinal, problemas no sorriso podem trazer impactos negativos na saúde geral e na autoestima dos indivíduos. Nesse sentido, em um país com grande parte da população sem condições econômicas de pagar por um tratamento dental particular, mais de 20% segundo o CFO, é primordial providenciar ao menos uma limpeza profissional por ano. Isso ajudaria a prevenir cáries e a identificar condições graves mais precocemente. Dessa forma, evita-se que a ida ao dentista seja um evento mais custoso e traumático para o paciente.
Ademais, é indubitável que a negligência do Estado seja a principal causa do problema. Assim, segundo o filósofo Aristóteles a política pública, por meio da justiça, deveria ser utilizada de modo a alcançar um equilíbrio social. Todavia, a deficiência de incentivos governamentais, no que concerne à garantia de procedimentos odontológicos à população de maneira equitativa, rompe com essa harmonia. Além disso, embora esteja na Constituição o princípio da isonomia, no qual deve ser assegurada a igualdade entre os cidadãos, isso é completamente desrespeitado. Logo, o brasileiro sofre com os problemas da cárie e das doenças da gengiva, responsáveis por tantas perdas dentárias.
Portanto, percebe-se que o debate acerca da saúde bucal dos brasileiros é imprescindível. Então, cabe ao Ministério a Economia destinar verbas para otimizar quantitativa e qualitativamente o atendimento odontológico no setor público. Também, cabe ao Ministério da Educação, como instância máxima na área educacional, por intermédio de projetos sociais nas escolas, distribuir kits de higiene bucal, bem como promover palestras, com a participação de dentistas, que instruam como higienizar corretamente os dentes e as gengivas. Essas ações preventivas, junto às curativas teriam como finalidade garantir o direito à saúde bucal, como previsto na Constituição Federal de 1988 e conforme o ideal da filosofia aristotélica.