A saúde bucal dos brasileiros
Enviada em 13/02/2022
Segundo a Constituição Federal de 1988- documento situado no topo do ordenamento jurídico- todos têm direito à saúde de qualidade. No entanto, quando se observa o cenário brasileiro hodierno, percebe-se que essa garantia enfrenta entraves para ser consumada, haja vista a precária saúde bucal dos brasileiros. Com efeito, configuram-se como principais causas do revés a negligência governamental e a lacuna educacional.
Diante desse cenário, é oportuno pontuar que a omissão estatal possui íntima relação com o problema. Acerca disso, Thomas Hobbes, filósofo inglês, defendia que é dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda coletividade. Tal concepção, todavia, não se aplica à conjuntura hodierna, uma vez que as autoridades governamentais não agem para criar ações que resolveriam a debilitada saúde bucal dos brasileiros, como a escassez de equipamentos adequados e profissionais qualificados na rede pública. Dessa forma, não é justo que a máquina pública protagonize, com sua omissão de dever, a manifestação dessa mazela no Brasil.
Denuncia-se, outrossim, o agravamento do impasse por parte do deficitário sistema de ensino no país. Nesse sentido,para Paulo Freire, educador brasileiro, as instituições escolares precisam abandonar a metodologia tecnicista, dando lugar à construção transformadora, embasada na conscientização social. Entretanto, os espaços educativos, por vezes, ao passo que prorizam o conhecimento técnico, não preparam os indivíduos para lidar com a saúde bucal, não informam sobre as doenças e nem sobre a higienização adequada. Desse modo, a conduta escolar precisa ser repensada urgente.
Infere-se, portanto, a necessidade de cuidados com a saúde bucal no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável pelos cuidados que envolvem a integridade física e mental, investir em campanhas de incentivo à saúde bucal desde a infância, por meio de palestras com dentistas nas escolas, a fim de melhorar o sistema educacional. Ademais, é crucial que o Ministério também invista na capacitação de profissionais e na compra de equipamentos de qualidade. Logo, o direito garantido na Carta Magna será colocado em prática.