A saúde bucal dos brasileiros
Enviada em 03/06/2022
Segundo o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado promover medidas que assegurem o bem-estar a todos os constituintes de um corpo cívico. Todavia, ao analisar os desafios para garantir a saúde bucal dos brasileiros, torna-se notório o caráter utópico do Estado remediador visado por Locke. Com base nesse viés, é indispensável avaliar as causas da questão que são a ineficiência legislativa e a invisibilidade midiática.
Sob esse contexto, a ineficácia constitucional é um desafio presente na causa. Sob essa ótica, Gilberto Dimenstain, escritor e jornalista brasileiro, explica que, no Bra- sil, as leis são inefetivas, o que gera uma falsa sensação de cidadania. A crítica do autor , de fato, consolida-se na realidade nacional, visto que, mesmo com a presen- ça de leis que assegurem a saúde integral dos cidadãos como um direito funda- mental, infelizmente, uma parcela considerável da população sofre com a falta de saúde bucal, comprovando a máxima de Dimenstain. Como exemplo disso, análise feita pela revista UOL revela que mais de 34 milhões de brasileiros sofrem com problemas dentários. Assim, é urgente que a cidadania de papel- de que Dimens-
tain fala- seja superada.
Ademais, a invisibilidade da questão é um fator determinante. Sobre esse ponto, a filósofa Djamila Ribeiro diz que é necessário fornecer visibilidade a uma situação para que soluções sejam promovidas. Há, no entanto, um silenciamento instau-
rado no que diz respeito à saúde bucal dos brasileiros, haja vista que esse assunto raramente é discutido na mídia nacional. Tal fato perpetua a causa na hodiernida-de, pois, sem informações, os indivíduos desconhecem medidas preventivas, bem como formas de buscar atendimento profissional. Dessa maneira, urge tirar a si-
tuação da obscuridade para atuar sobre ela, como defende Djamila.
Portanto, é imprescindível agir sobre o óbice. Para tanto, cabe ao Ministério das Co
municações- regulador dos meios comunicativos- promover maior visibilidade a causa, por meio de programas e comerciais televisivos, que devem ser exibidos em canais de alcance nacional, visando informar a população. Outrossim, o Estado de-
ve rever suas leis, objetivando efetivá-las, Destarte, ter-se-á um Brasil semelhante àquele Estado contratualista visado por Locke.