A saúde bucal dos brasileiros

Enviada em 01/06/2022

Apesar da evolução social e científica alcançada na atualidade, a ocorrência de saúde bucal precária ainda é um entrave no Brasil. Baseado nisso, é evidente que esse impasse esteja associado não só a desigualdade ao acesso à dentistas – por motivos financeiros e geográficos-, mas também a falta de empenho do Estado em incentivar medidas de prevenção desde a infância.

Sob essa ótica, deve-se frisar como o acesso a profissionais de saúde bucal é desigual. De acordo com o Conselho Federal de Odontologia, o Brasil é o país que possui o maior número de cirurgiões dentistas e a maioria deles atua nas capitais do eixo Sudeste-Sul, devido à melhor remuneração nesses locais. Dessa forma, além dos atendimentos nas capitais serem onerosos, a população que vive no interior do país dispõe de menor quantidade de profissionais, principalmente aqueles contratados pelo SUS. Assim, a exclusão aos serviços ocorre por motivos econômicos e pela distância geográfica, cooperando para a precariedade da saúde bucal nacional.

Outrossim, a falta de investimento em medidas socioeducativas perpetua os problemas bucais. Sob essa perspectiva, o projeto “Companhia dentes brilhantes”, criado de maneira independente por alunos da Universidade Estadual Paulista de São José dos Campos, proporciona atividades lúdicas em escolas com intuito de ensinar para crianças como realizar escovação adequada. No entanto, a negativa do Estado em promover recursos financeiros para compra de materiais necessários – escovas, pastas e fio dental - faz com que esse projeto e outros semelhantes, como a ONG “Por um sorriso”, sejam limitados em suas ações. Assim, a negligência à prevenção resulta no agravamento da falta de saúde bucal.

Portanto, para mudar o cenário, cabe ao Ministério da Saúde investir na criação de mais Unidades Básicas de Saúde em cidades interioranas, oferecendo salários maiores para atrair os dentistas. Além disso, o Ministério da Saúde também deve investir capital para compra de insumos em projetos independentes, como a “Companhia dentes brilhantes”, possibilitando que cheguem em mais escolas. Dessa maneira, o Brasil será exemplo não só na quantidade de dentistas formados, mas também na saúde bucal da população.