A saúde bucal dos brasileiros

Enviada em 28/09/2022

Na obra “Odisseia”, do escritor Homero, vê-se o protagonista, após a Guerra de Tróia, cruzando, com muita persistência, um oceano repleto de monstros. É possível estabelecer uma comparação entre essa passagem e a falta de saúde bucal no Brasil, já que esse “monstro” contemporâneo tem dificultado a “navegação” harmônica da sociedade brasileira, exigindo dela uma postura de enfrentamento perante tal entrave. Desse modo, cabe analisar essa questão.

De antemão, vê-se que o Estado brasileiro tem se afastado de seu caráter democrático ao permitir essa problemática. Isso porque existe um déficit no processo de investimento financeiro, uma vez que a falta de verbas em consultórios odontológicos impossibilita a aquisição dos equipamentos adequados, e consequentemente, o tratamento apropriado para cada cidadão. Tendo como base os estudos do filósofo Charles de Montesquieu para esclarescer esse contexto, entende-se que a falta de regulação entre os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) tende a intensificar a negligência de garantias constitucionais, nesse caso, o direito à saúde.

Além disso, compreende-se que aceitar a carência de tratamento odontológico é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem adotado uma postura inerte diante dessa situação, posto que a escassez de profissionais qualificados tem gerado certa apatia nesses indivíduos, tornando a busca por ajuda médica inviável em algumas localidades. Esse fato reitera os discursos da filósofa Hannah Arendt, pois se vê que as pessoas vêm perdendo a capacidade de diferenciar o certo do errado devido a um processo de massificação cultural.

Convém, portanto, ressaltar que a falta de saúde bucal deve ser superada. Para isso é necessário exigir do Poder Executivo, em conjunto com o Ministério da Saúde, a destinação de verbas para consultórios especializados, através de ações midiáticas, com o objetivo de viabilizar o melhor tratamento possível para os pacientes. Ainda, é necessário garantir a formação de profissionais aptos, por meio de ONGs e campanhas públicas para que haja a adoção de uma postura não resignada diante da falta de auxílio médico. Assim, seria possível a navegação harmônica da população, como na obra de Homero.