A saúde bucal dos brasileiros
Enviada em 25/10/2022
A Constituição Federal, em seu artigo sexto, assegura ser dever do Estado e garantia de todos os cidadãos o direito à saúde. No entanto, tal direito não é pleno, uma vez que a saúde bucal dos brasileiros é negligenciada. Segundo dados do IBGE, mais da metade da população não se consulta anualmente com dentistas, o que é grave. Diante desse cenário, faz-se necessário analisar como a débil ação estatal e a falta de informação potencializam a ausência de saúde bucal.
De início, a inoperância por parte do Estado é fundamental para persistência da mazela. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil destina apenas 7 reais por habitante ao orçamento dos tratamentos odontológicos. Essa verba de valor irrisório é muito abaixo do necessário para a realização de simples tratamentos, como uma limpeza bucal. Desse modo, a falta de investimentos no setor impede que haja uma evolução nos métodos odontológicos públicos e maior alcance populacional da cobertura de saúde.
Ademais, a falta de informação destinada à população contribui para que a saúde bucal seja negligenciada. Durante a Idade Média, não haviam medidas profiláticas e, tampouco, formas de tratamento para doenças bucais. Nesse cenário, uma simples cárie podia levar ao óbito devido à infecção generalizada. Atualmente, doenças, como a cárie, perderam seu grau de letalidade pelo avanço médico, todavia, moléstias como a referida continuam a ser diminuídas e taxadas como de fácil procedimento terapêutico. Dessa forma, a população ao ignorar os reais riscos que doenças bucais podem causar colocam-se em risco, mas que poderia ser evitado com medidas simples, por exemplo, uma correta escovação dos dentes.
Depreende-se, portanto, que a saúde bucal dos brasileiros necessita de mais investimentos e uma condução condizente com seu grau de importância. À vista disso, é dever do Ministério da Saúde — órgão responsável pelas diretrizes sanitárias nacionais — atuar para promover uma maior cobertura de tratamentos. Isso pode ser feito por meio de destinação orçamentária, a fim de garantir em todas as Unidades Básicas de Saúde um profissional odontológico. Outrossim, é preciso que campanhas publicitárias destaquem a relevância da profilaxia bucal, de modo a evitar futuros problemas, garantindo, assim, os preceitos Constitucionais.