A saúde bucal dos brasileiros
Enviada em 04/04/2023
O artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) diz: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Entretanto, as diferenças sociais, como educação e renda, provocam o distanciamento entre as realidades daqueles que são mais abastados em relação àqueles mais humildes. Sucede, assim, que problemas de saúde, por exemplo a bucal, não são apenas uma questão sanitária, mas também um reflexo da estratificação da sociedade.
Sob esse viés, a isonomia deixa de ser um direito constitucional e passa a ser um produto pelo qual se paga. Dessa forma, a saúde bucal, tão importante para o bem estar, seja pela autoestima ou pela prevenção de doenças, torna-se um privilégio. Com isso, decorre o contraditório cenário demonstrado pela revista Ortho Science - Brasil é o país com mais dentistas no mundo, totalizando 11% do total, contudo, apenas 15% os visitam regularmente - ou seja, até mesmo o simples ato de escovar os dentes diariamente é um privilégio no Brasil.
Ademais, a partir do momento em que a saúde odontológica deixa de ser tratada como primordial e passa a ser vista como um luxo, a busca pelo tratamento se torna secundária. Desse modo, abre-se margem para que outras doenças surjam em decorrência da má higienização, tais quais endocardite bacteriana, pneumonia, artrite reumática e parto prematuro, conforme afirma a ABO (Associação Brasileira de Odontologia), o que, por sua vez, agrava ainda mais as condições de populações carentes e aumenta os gastos com saúde pública no país.
Portanto, cabe aos Poderes Públicos criarem campanhas, por exemplo mutirões, junto ao Ministério da Saúde com o propósito de aumentar a acessibilidade do tratamento odontológico aos mais necessitados. Além disso, faz-se necessário o alerta à população, por meio de propagandas, bem como visitações em escolas, cuja finalidade é a de promover a conscientização sobre a importância da manutenção diária da saúde bucal.