A saúde bucal dos brasileiros
Enviada em 03/11/2023
Na série norte-americana “The good doctor”, retrata-se a diária de um hospital particular, em que alguns pacientes de baixa renda são excluídos do acesso à saúde. Assim como na ficção, é nítida a importância da garantia da saúde bucal na atual sociedade brasileira. Logo, é uma realidade a desigualdade social ao acesso ao meio odontológico e a omissão governamental na igualitariedade do sistema.
Diante desse cenário, é evidente a assimetria populacional ao acesso à saúde qualitativa no Brasil. Nessa perspectiva, na obra “O capital”, do sociólogo Karl Marx, afirma que as desigualdades estão atreladas aos modos de produção capitalista. De maneira análoga ao pensamento de Marx, a discussão acerca da disponibilização do cuidado odontológico público, embora seja relevante para o desenvolvimento do corpo social brasileiro, não recebe a devida importância, haja vista a ausência de projetos sociais de saúde bucal em regiões periféricas, bem como, a escassez de verbas para instituições de saúde pública. Dessa forma, enquanto houver a desigualdade à saúde bucal, haverá a exclusão social.
Ademais, é válido ressaltar a negligência estatal brasileira perante a democratização da odontologia estética. Nesse viés, de acordo com o filósofo Norberto Bobbio, as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios das leis, mas também garantir que a população usufrua deles. Sob essa lógica, a partir do raciocínio de Bobbio, o Estado precisa não apenas criar políticas públicas que assegurem a disponibilização da saúde bucal, mas também garantir que a raiz do problema -indivíduos em extrema pobreza- vivenciem o benefício do direito social. Desse modo, enquanto a omissão for a regra, a saúde odontológica será etilizada.
Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que a saúde bucal se faz necessária na sociedade brasileira. Urge, portanto, que o Ministério da Saúde -órgão responsável pelo bem-estar populacional brasileiro- faça a criação de projetos sociais de saúde bucal e medidas legislativas de democratização odontológica, por meio de verbas estaduais voltadas para à saúde e aprovações constitucionais, como a lei “Brasil sorridente”, para que a odontologia estética seja acessível a todos os cidadãos. Pois, somente assim, o contexto de “The good doctor” não será a realidade do Brasil hodierno.