A substituição de brinquedos por telas: as consequências do uso de tecnologias por crianças

Enviada em 04/03/2026

A infância é uma fase marcada pela imaginação e pelas brincadeiras que contri-buem para o desenvolvimento das crianças. Nesse sentido, o escritor Monteiro Lobato afirmava que “um país se faz com homens e livros”, destacando a importân-cia das experiências formativas. Entretanto, atualmente, observa-se a crescente substituição de brinquedos por telas. Nesse contexto, o uso excessivo de tecnolo-gias pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e as relações sociais infantis. Dessa forma, é preciso discutir essa problemática para, assim, solucioná-la.

Nesse sentido, é importante destacar que o predomínio das telas pode compro-meter o desenvolvimento cognitivo das crianças. Segundo o psicólogo Jean Piaget, o aprendizado infantil ocorre sobretudo por meio da interação com o ambiente, na qual a criança experimenta objetos e constrói conhecimento a partir da exploração do mundo. No entanto, quando parte do tempo livre é direcionada ao consumo de conteúdos digitais, essa interação tende a ser reduzida. Com isso, habilidades fun-damentais, como resolução de problemas e coordenação motora, podem ser pre-judicadas. Assim, o uso excessivo de telas pode limitar estímulos importantes para a construção do pensamento e da criatividade infantil.

Ademais, o uso de telas pode prejudicar as relações sociais na infância. Brinca-deiras coletivas são importantes para o desenvolvimento de habilidades como cooperação e empatia. Entretanto, quando o lazer passa a ser mediado por dispo-sitivos digitais, as interações diminuem. Nesse sentido, a Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que a exposição prolongada às telas pode favorecer o isolamento social infantil. Desse modo, a redução das interações sociais pode dificultar o desenvolvimento das competências necessárias à convivência em sociedade.

Por isso, o Ministério da Educação deve instituir um programa nacional obriga-tório de orientação às famílias sobre o uso equilibrado de dispositivos digitais. A medida deve ocorrer por meio de encontros formativos frequentes nas escolas, conduzidos por psicólogos e pedagogos, além da fixação de metas de redução do tempo de tela no ambiente doméstico, a fim de assegurar o desenvolvimento cognitivo pleno e o fortalecimento das habilidades sociais na infância. Assim, o Brasil será um exemplo mundial na educação e formação integral das crianças.