A substituição de brinquedos por telas: as consequências do uso de tecnologias por crianças
Enviada em 21/06/2026
No filme Toy Story 5, Bonnie é presenteada com seu primeiro tablet, o que faz com que seus brinquedos tradicionais se tornem progressivamente menos atrativos. A animação, embora ficcional, evidencia uma realidade crescente: a substituição de brinquedos por telas no Brasil. Nesse sentido, essa substituição indiscriminada é capaz de trazer não só prejuízos ao desenvolvimento social na infância, mas também déficits na maturação cognitiva.
A princípio, é pertinente destacar que o uso excessivo de telas na infância compromete o desenvolvimento social das crianças. Isso porque o uso exagerado de dispositivos eletrônicos reduz substancialmente interações sociais com outras crianças, o que compromete o aperfeiçoamento de habilidades como comunicação, empatia e cooperação. Sob essa ótica, o psicólogo Lev Vygotsky defendia que o aprendizado e o desenvolvimento humano acontecem por meio das relações sociais. Dessa forma, quando o contato com outras crianças é substituído pelo ambiente digital, o processo de socialização torna-se prejudicado, dificultando a formação de competências essenciais para a convivência em sociedade.
Além disso, é válido destacar como esses dispositivos influenciam a capacidade intelectual ainda na infância. Sob esse viés, a troca de brincadeiras tradicionais por celulares e tablets faz com que menos habilidades sejam estimuladas, como a criatividade, concentração e reflexos. Desse modo, crianças criadas exclusivamente por meio de aparatos digitais podem apresentar uma grande desvantagem em situações de convivência social, como fazer amigos ou ajudar outras pessoas. Evidencia-se, por conseguinte, que o monopólio das telas atua como um entrave direto tanto à maturação neurocognitiva quanto à socialização.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar esse problema atual no Brasil. Logo, cabe não apenas às escolas, como também aos pais garantir um uso equilibrado dessas tecnologias, por meio de atividades lúdicas em aulas de educação física, como brincadeiras tradicionais que estimulam habilidades essenciais supracitadas, e aos pais quanto ao tempo de uso dessas ferramentas. Espera-se, com isso, que o tempo de tela seja reduzido e que competências básicas sejam desenvolvidas conforme defendia Vygotsky.