A substituição de brinquedos por telas: as consequências do uso de tecnologias por crianças

Enviada em 11/10/2026

Na obra “Cidadão de Papel”, o jornalista Gilberto Dimenstein aborda a ineficiência das garantias legais, demonstrando que os direitos dos indivíduos ficam restritos aos documentos oficiais e não se concretizam na realidade social. Sob essa perspectiva, percebe-se essa lacuna entre a teoria e a prática na ocorrência das consequências do uso de tecnologias por crianças. Diante disso, faz-se necessário analisar como a negligência governamental e a ausência de supervisão familiar impulsionam esse entrave social.

Em primeiro plano, é necessário ressaltar a desassistência do poder público como fator agravante do uso da tecnologia pelas crianças. Consoante ao pensamento de Jean-Jacques Rousseau, na medida em que o Estado isenta-se na garantia da segurança infantil, há um descumprimento do contrato social elaborado junto à sociedade. Dessa maneira, essa ineficiência do aparato institucional no atendimento às demandas da nação não só contribui para o descaso com a coletividade, mas também transgride o dever assegurado pela ordem social.

Além disso, é notório que a falta de monitoramento familiar impacta a questão. Na linha desse raciocínio, de acordo com Marina Silva, “O custo do cuidado é sempre menor que o custo do reparo”. De maneira análoga, na atual era da tecnologia é possível perceber que a escassez da supervisão familiar sobre os conteúdos acessados pelas crianças e a falta de limite ao uso da tecnologia é extremamente prejudicial para seu desenvolvimento, visto que o acesso prolongado da internet afeta sua atenção e faz com que tenham pensamentos superficiais. Outrossim, essa falta de supervisão é nocivo à segurança das crianças já que sem restrições elas podem acabar vendo conteúdos inapropriados para sua idade.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado- instituição soberana e garantidor de direitos fundamentais- por intermédio do amplo apoio dos poderes estaduais e municipais, promova a realização de palestras e campanhas publicitárias que ressaltem a importância do controle parental nas tecnologias acessadas por crianças, a fim de conter as consequências de seu mau uso e fomentar a consciência e a criticidade aos indivíduos.