A substituição de brinquedos por telas: as consequências do uso de tecnologias por crianças
Enviada em 16/09/2026
A obra “Modernidade Líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman, descreve a sociedade contemporânea marcada pela instabilidade e efemeridade. O prazer imediato proporcionado pelas telas, atua como um preenchedor de lacunas emocionais em crianças, representando, em alguns casos, a companhia dos amigos e familiares. Nessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da inércia do Estado em relação à acessibilidade a programas infantis com formatos cada vez mais coloridos e atrativos e a conscientização dos pais e responsáveis dos limites para tal uso.
Em um primeiro momento, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais eficazes para proibir desenhos que provoquem mais estímulos em crianças. Nesse sentido, priorizar formatos menos reativos como “Cocoricó” e “Castelo Rá Tim Bum”, por exemplo, causaria uma diminuição nos malefícios como o aumento da irritabilidade, falta de concentração em atividades mais calmas e necessidade do uso diário. De acordo com a fonoaudióloga Vivian Gardenal, terapeuta especialista em síndromes infantis, o uso indiscriminado de telas podem causar desde um atraso na fala até uma real dependência, portanto, atividades ao ar livre, jogos interativos e leitura, além de proporcionarem uma maior concentração, são autorreguladores emocionais. Ademais, é fundamental apontar a falta de conscientização dos pais e responsáveis, como impulsionadora do problema. Segundo uma pesquisa sobre o uso de Internet por crianças e adolescentes, apenas 21% da população entre 9 e 17 anos, não são usuários de Internet. As crianças estão cada vez mais cedo tendo acesso a telas, hora por necessidade, hora por falta de conhecimento. Respeitar os limites sugeridos para cada idade, e principalmente, manter a proibição do acesso até os dois primeiros anos, é determinante para minimizar os malefícios.
Depreende-se, portanto, a necessidade do Ministério da Educação por intermédio das escolas, realizarem peças de teatro, adequadas para cada faixa etária, estimulando a criatividade, leitura e concentração, a fim de resgatar o contato fora das telas. Desse modo, o bem-estar social deixará de ser uma utopia, e se consolidará como realidade.