A substituição de brinquedos por telas: as consequências do uso de tecnologias por crianças

Enviada em 12/10/2026

A série “Black Mirror” demonstra, por meio de histórias curtas, como a tecnologia pode influenciar o comportamento humano de maneira eticamente problemática. Nesse sentido, se torna relevante refletir sobre a forma que isso afeta as crianças. Por isso, é preciso discutir sobre a substituição de brinquedos por telas: as consequências do uso de tecnologias pelos pequenos, potencializadas pelos efeitos da pandemia da covid-19 e da utilização massiva desse aparatos.

Diante disso, a conjuntura dos anos 2020 e 2021 afetaram significativamente a dinâmica social. A globalização é definida pela aproximação das pessoas em escala mundial decorrente da melhoria dos meios telecomunicativos. Sob esse viés, o distanciamento social requerido pelas circunstâncias do período intensificou esse fenômeno, uma vez que as crianças e os adolescentes precisaram recorrer às telas para a socialização: redes sociais para comunicação, aplicativos para estudo e jogos virtuais para brincar com os outros. Assim, devido à rotina de muitas horas no ambiente virtual já estabelecida nesse período, a geração infantojuvenil tende ao isolamento social e ao sedentarismo.

Além desse fator, a normalização do uso desproporcional de tecnologias é alarmante. A personagem Dora, no seriado infantil “Dora aventureira”, é uma criança que explora e brinca com seus amigos sem a influência de telas. Entretanto, a realidade dos pequenos no Brasil é distante dessa, visto que as brincadeiras e passatempos mais populares dessa geração estão relacionados ao uso desses aparatos. Nesse contexto, na visão da criança, a internet se torna um meio essencial para a inclusão social dela. Portanto, essa massificação afeta as habilidades de comunicação e a saúde mental dos menores.

Logo, é fundamental a elaboração de medidas para combater a substituição de brinquedos por telas. Para isso, cabe às prefeituras municipais do país inaugurar centros comunitários voltados para brincadeiras interativas entre crianças, como piques e esportes coletivos, por meio reorganização da verba disponível, a fim de mitigar o isolamento, o sedentarismo e o adoecimento mental dessa geração. Em última instância, procura-se, com essas propostas, uma conjuntura similar a de Dora Aventureira para as crianças brasileiras.