A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?

Enviada em 27/06/2022

No contexto histórico, o modo de produção capitalista trouxe consigo a valorização da velocidade. A vida cotidiana das pessoas passou a ser corrida, agitada e atarefada, o que cuminou na produção e consumo de produtos altamente tecnológicos. Em contrapartida, nem todos os avaços eletrônicos são benéficos aos usuários. Nesse sentido, pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (UNCT) identificaram que a escrita cursiva cria mais atividade nas partes sensório-motoras do cérebro, ajudando a melhorar o aprendizado e a memorização. Logo, os aparelhos não são bons substitutos para o caderno.

Indubitavelmente, o aprimoramento da tecnologia ajuda a sociedade na saúde, no infrentamento das adversidades naturais, mas existe outro lado. Como citou o escritor Mark Kennedy, “Todas as maiores invenções tecnológicas criadas pelo homem — o avião, o automóvel, o computador — dizem pouco sobre sua inteligência, mas falam bastante sobre sua preguiça”. Essa preguiça toma conta dos ambientes escolares acarretando na aprendizagem.

Nessa perspectiva, um pesquisa feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, apontou que mais de 70% dos alunos do ensino médio usam celular nas atividades escolares. Dessa forma, levando em consideração a pesquisa realizada pela UNCT, fica evidente que esse percentual acarreta a eficácia educacional brasileira e consequentemente a economia nacional. A saber, segundo o IBGE, dos 48,5 milhões de jovens de 15 a 29 anos, 23% não trabalham, nem estudam ou se qualificam.

Diante do exposto, fica clara a necessidade de intervir nessa invasão de eletrônicos nas escolas. Para isso, o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação, com a finalidade de aprimorar a vigência do ensino, poderia para além de proibir o uso desses nas salas de aula, prover a instalação de detectores de metal nas portas e armários individuais, seguros, para que os aparelhos possam ser guardados e usados fora da classe. Somado a isso, seria viável um projeto que esclarecesse aos discentes a necessidade dessa intervensão, respaudada nas pesquisas científicas, afim de garantir um nível de aderência passiva.