A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?

Enviada em 06/07/2022

Nomofobia é um termo do ramo da psicologia que descreve a dependência tecnológica, sua nomenclatura deriva da expressão inglesa “no mobile”, de acordo com este transtorno, os indivíduos encontram-se cada vez mais dependentes das tecnologias deixando de lado as opções mais tradicionais ainda que lhes propiciem maiores benefícios, e este cenário pode ser observado sobretudo nas escolas. De maneira análoga à substituição do caderno por instrumentos tecnológicos como atraso cognitivo. Nesse prisma, evidenciam-se dois importantes aspectos da problemática: ineficácia do método de ensino vigente e a negligência escolar.

Em primeira análise, evidencia-se a ineficiência do método de ensino hodierno. Consoante uma pesquisa feita pela revista “Psychological Science”, escrever à mão faz com que os alunos apresentem melhores desempenhos pois este ato melhora a compreensão. No entanto, o imediatismo exigido pelas escolas brasileiras e a pressão por resultados faz com que os alunos busquem maneiras mais rápidas e simplistas sem dar atenção ao aprendizado correto, recorrendo assim, à tecnologias que, por sua vez, são capazes de proporcionar os efeitos instantâneos desejados, mas também neglicenciam a qualidade de aprendizado dos discentes.

Além disso, é notória a displicência escolar. Segundo o psicólogo e cientista B.F. Skinner, “O problema não é se as máquinas pensam, mas se os homens o fazem.”, em concordância ao pensamento do estudioso, ocorre, no Brasil, a ausência de estímulo à reflexão, por conta de seu inócuo sistema de ensino e sua procura por resultados imediatos, ao exigir tais ações de seus alunos, as escolas promovem, ainda que insconscientemente, a pobreza de análise e raciocínio, gerando, assim, um corpo social ignorante e desinformado intelectualmente.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham a conter os avanços dos atrasos cognitivos gerados pelo uso excessivo de tecnologias. Dessa forma, cabe ao Ministério de Educação realizar mudanças no método de ensino por meio de uma reforma no ineficaz sistema educacional brasileiro a fim de que possam ser incentivados meios mais benéficos de aprendizado e a redução do imediatismo por resultados em prol do bem estar cognitivo dos alunos. Somente assim, o sistema de ensino poderá diferir-se do termo da dependência tecnológica, a nomofobia.