A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?
Enviada em 06/07/2022
A globalização trouxe consigo um mundo tecnológico, tornando mais fácil o acesso a dispositivos eletrônicos. Nesse contexto, ao visualizar o cenário do uso de notebooks e tablets, sobretudo em ambientes de aprendizado, tem-se um debate acerca de sua viabilidade. Dessa maneira, faz-se necessário analisar que o uso dos eletrônicos, apesar de possuir pontos positivos, encontra sua problemática ao acentuar negativamente o cognitivo dos indivíduos.
Primordialmente, a praticidade e conforto de eletrônicos compõem um ponto positivo, sendo válido afirmar que notebooks e tablets são sinônimos de facilidade, sobretudo ao fazer anotações em sala de aula. Contudo, Pierre Lévy, filósofo francês, afirma que toda tecnologia gera seus excluídos, mostrando que essa praticidade não é hegemônica. Assim, levando em conta a desigualdade social enfrentada pela população, é possível constatar que nem todos terão acesso aos dispositivos e, por consequência, um maior abismo de desigualdade será gerado.
Outrossim, a falta de contato com a escrita à mão gera impactos cognitivos na população, fato comprovado pela pesquisa realizada pela revista Psychological Science, demonstrando que a escrita ajuda a reter mais informações, além de manter o aluno engajado nas palestras. Por outro lado, o uso de notebooks representa um atraso nesse processo. Dessa forma, compreende-se que o uso, sobretudo desregrado, de dispositivos eletrônicos representa um retrocesso cognitivo, dificultando o processo de aprendizado.
Em síntese, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Para isso, é preciso que o Governo Federal auxilie estudantes de baixa renda, por meio da distribuição de tablets a essa parcela estudantil, visando diminuir a desigualdade social e garantir o acesso hegemônico à tecnologia. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação, órgão focado no índice de aprendizado da população, crie políticas de fiscalização, por meio de profissionais qualificados para averiguar a presença de dispositivos em salas de aula, além de palestras com pedagogos, visando a conscientização do uso desregrado de tecnologia e um ambiente livre de distrações. Dessa maneira, a globalização será sinônimo de avanço, e não de retrocesso cognitivo.