A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?

Enviada em 22/07/2022

Na fórmula de Bhaskara, a solução da função do segundo grau depende das suas raízes - ou seja, dos valores de “x”. Da mesma forma, ao se analisar a substituição do caderno por notebooks e tablets compreende-se que é necessário a análise das suas incógnitas para se chegar na resolução da problemática. Logo, os coeficientes dessa adversidade estão diretamente relacionados ao método de ensino e à desigualdade tecnológica existente.

Em primeira análise, nossa sociedade ainda vive o Mito da Caverna de Platão, em que a ignorância prevalece frente a sabedoria. Dessa forma, o conceito de inovação é visto com resistência, porque grande parte das escolas ainda utilizam o modelo tradicional que exclui o suporte tecnológico. É perceptível que muitos professores não estão preparados para alterar sua metodologia seja por falta de preparo, de estrutura ou pelo aprisionamento na caverna. Consequentemente, tal fato gera dificuldade na disseminação da tecnologia e inovação em nosso meio social, tornando o Brasil mais distante do mundo globalizado.

Deve-se ressaltar também que o acesso aos recursos digitais não é um benefício experimentado por todos. De acordo com o IBGE, um em cada quatro brasileiros não estão inseridos na internet; isto representa um impasse com relação ao uso de tecnologias no contexto educacional do país. Embora a Constituição Federal garanta como direito social o acesso à educação, ela não é oferecida de forma adequada, visto que ocorre negligência por parte do Governo no âmbito educacional pela redução frequente de verbas destinadas às escolas e ao ensino, o que confirma a desigualdade existente no país.

Logo, são necessárias medidas em busca da resolução das incógnitas mencionadas. O Ministério da Educação deve oferecer capacitação online para os professores nos finais de semana por meio de vídeos, tarefas e materiais de apoio que preparem para a inserção da tecnologia no ensino e seus possíveis desafios. Urge também que o Ministério da Educação invista em tecnologia a partir de verbas públicas para tornar a educação menos desigual. Dessa maneira pode-se, assim como na função do segundo grau, chegar a uma solução.