A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?
Enviada em 17/07/2022
“Eu quero entrar na rede; pra manter o debate; juntar via internet; um grupo de tietes de Connecticut […], é um trecho da música “Pela internet” de Gilberto Gil. Nela, o artista fala sobre a internet estar cada vez mais entrelaçada no cotidiano das pessoas. Nesse viés, no Brasil, há dúvidas sobre até onde ela seria benéfica, como é o caso da troca do caderno por notebooks e tablets nas salas de aula. Nesse contexto, pode-se citar dois entraves à esta temática: a queda na retenção do conteúdo bem como a distração causada pelas redes sociais.
Nessa conjuntura, é possível afirmar que a troca da anotação à mão pelo uso de aparelhos eletrônicos traz mais malefícios que benefícios à cognição, pois os aparelhos reduzem o contato com a linguagem escrita, diminuem a compreensão do texto, além de reduzir o contato dos alunos com o professor, que é inprescindível na sala de aula. Esse fato pode ser ratificado pela fala de Darren Rosenblum, professor de direito na universidade Pace: “Educação exige uma interação constante […] Na melhor das hipóteses notebooks reduzem a educação ao bater de teclas anotando as aulas em telas brilhantes[…]”.
Em uma segunda análise, pode-se dizer que quando se permite o uso de dispositivos com acesso à internet em sala de aula, indiretamente está se liberando a fuga para as redes sociais, que são grandes vilãs quando o assunto é manter o foco no mundo exterior. Isso pode ser percebido por uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Espirito Santo (UFES) com mais de 2 mil adolescentes em que foi comprovado que 25,3% deles são dependentes moderados ou graves de internet. Desse modo, ao ter acesso deliberado a um eletrônico em sala de aula, grande parte dos estudantes perderão o foco no aprendizado.
Portanto, faz-se necessário que o ministério da educação, por meio de políticas, em associação com professores, crie maneiras de incrementar as aulas com ferramentas tecnológicas, como videoaulas e jogos educativos, com o interesse de usar a tecnologia a favor da educação. Assim, poderá haver o uso moderado e supervisionado de ferramentas específicas que contribuam pra evolução cognitiva dos alunos, e não o atraso.