A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?
Enviada em 29/07/2022
Ocorrida no século XX, a Revolução Técnico-Científico-Informacional proporcionou um enriquecimento na área tecnológica, com destaque para os computadores. Por esse ângulo, a tecnologia foi se inserindo cada vez mais no dia-a-dia das pessoas, tendo em vista que notebooks, tablets e smartphones são encontrados em vários âmbitos da vida dos cidadãos, sobretudo no escolar. Entretanto, apesar das vantagens, esse conjunto de inovações gera impasses no processo pedagógico, já que não são aplicadas corretamente e substituem práticas tradicionais necessárias.
Nessa perspectiva, normalizou-se o uso de tablets e notebooks em escolas, que poderiam auxiliar na aprendizagem, porém, muitas vezes, não são utilizados da maneira mais efetiva. Dessa forma, a tecnologia é inserida em alunos muito jovens e sem maturidade para manuseá-la da maneira correta. Como aponta a pesquisa da Mobile Time/Opinion Box, 49% das crianças brasileiras de zero a doze anos possuem um smartphone. No entanto, já foi constatado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que o uso de telas por crianças e adolescentes pode ser prejudicial ao desenvolvimento cognitivo e social. Assim, é nítido que os dispositivos podem atrapalhar se oferecidos na idade errada.
Outrossim, o sucateamento do método clássico de ensino tem sido incentivado, principalmente após a pandemia do Covid-19. Com a necessidade do isolamento, as escolas entraram em um modo de ensino remoto, que se fortaleceu e é muito incentivado. Contudo, o ensino tradicional proporciona práticas que o ensino remoto não oferece, como a socialização do aluno, por meio da convivência com os colegas, e o apredizado da gramática, que é lesado pelos corretores ortográficos. Dessa forma, percebe-se a importância do modelo tradicional de apredizagem.
Portanto, é necessária a intervenção do Estado para sanar os impasses citados. Logo, o Ministério da Educação deve elaborar um plano para proporcionar uma conexão gradual entre os métodos tradicional e virtual de ensino nas escolas, por meio da cooperação entre pedagogos e cientistas da computação, tendo em vista a apliacação correta da tecnologia. Por conseguinte, haverá um método de ensino que use a tecnologia como apoio, sem perder as vantagens do tradicional. Com essa prática o Brasil trilhará um caminho para uma educação mais proveitosa.