A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?
Enviada em 10/08/2022
Desde da Terceira Revolução Industrial, aparatos tecnológicos tiveram exorbitante impacto na sociedade, os quais proporcionaram agilidade nas atividades cotidia-
nas. Em vista disso, no âmbito educacional não foi diferente, a contínua substitui-
ção de ferramentas tradicionais de ensino por aparelhos digitais demonstra a am-
pliação das funções da tecnologia. No entanto, a inserção virtual apresenta duas possibilidades opostas: a evolução dinâmica ou o atraso cognitivo.
Sob esse viés, as transformações digitais recebidas pelo âmbito educacional resul-
taram na manutenção de um sistema de ensino arcaico e pouco dinâmico. Conso-
ante ao sociólogo inglês David Hume, o aprendizado é mais eficiente se concedido pelas experiências sensíveis, ou seja, pela utilização dos sentidos. De maneira aná-
loga ao pensamento de Hume, aparelhos virtuais, como tablets e notebooks, per-
mitem uma interação ativa, a qual oportuniza que os elementos cognitivos sejam mais estimulados e a aquisição de conhecimento seja menos frustrante.
Entretanto, a quantidade excessiva de ações e informações proporcionada pelos recursos presentes nos dispositivos tecnológicos possibilita a desconcentração.
Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a contemporaneidade é definida
pela superficialidade dos componentes. Nesse sentido, a incorporação precoce de elementos eletrônicos facilita a deficiência intelectual, pois o estímulo exacerbado dos sentidos, gerado pela abundância de elementos superficiais, pode comprome-
ter de forma prejudicial o progresso intelectivo dos estudantes. Assim, é necessário cautela na abordagem da problemática.
Portanto, é evidente a ambiguidade estabelecida pela substituição do caderno por notebooks e tablets, devido as consequências resultantes. Primeiramente, é dever das instituições de ensino regionais proporcionar integração da tecnologia disponível para os alunos, por meio do revezamento dos mecanismos tradicionais e modernos, para que assim a introdução aos utensílios eletrônicos seja feita com responsabilidade. O objetivo disso é submeter os discentes ao ensino interativo, mas de maneira que não comprometa maleficamente seu desenvolvimento cognitivo.