A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?

Enviada em 21/08/2022

Uma das consequências da Terceira Revolução Industrial, ocorrida no século XX, foi a mudança de paradigma no âmbito educacional mundial. Isso porque a expansão tecnológica revirou as políticas de ensino devido a intensa presença no ambiente escolar. No Brasil, no entanto, o despreparo no uso da tecnologia no processo ensino-aprendizagem, aliada à falta de política pública focada nesse tipo de instrução tem privado muitos da benesses da evolução educacional.

Em uma primeira análise, é fundamental apontar a precariedade no uso da tecnologia no ambiente escolar brasileiro. Nesse contexto, ainda que a atualidade seja denominada de era da informação, a temática das tecnologias digitais permanece no discurso pedagógico e sem perspectiva de se tornar uma realidade nacional. De encontro a essa premissa, segundo a revista Educação, dentre os muitos desafios para incorporar as novas tecnologias, como tablets e notebooks, de forma efetiva, destacam-se a formação docente insuficiente como responsável por parte da resistência aos seus usos.

Ademais, deve-se ressaltar que a indiligência do Estado potencializa o atraso na inclusão tecnológica no meio educacional. Esse contexto exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descrevem como presentes na sociedade mas sem cumprirem sua função social. Sob essa ótica, percebe-se que as nações que consideram o uso da tecnologia como aliada dos professores, como China, Singapura e Canadá, têm apresentado maior rendimento nos testes internacionais, como o o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA).

Portanto, depreende-se a necessidade de se reformular o modelo educacional brasileiro. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, por intermédio das secretarias estaduais, realizar o mapeamento regional das necessidades de formação de professores e/ou aquisição de equipamentos e, a partir desses dados, uniformizar a utilização na sala de aula. Paralelamente, é imperioso conhecer e adaptar à realidade brasileira os modelos de ensino utilizados nos países que relatam experiências bem sucedidas e, dessa forma, excluir o Brasil da obsolescência tecnológica e educadional.