A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?

Enviada em 23/08/2022

Com o advento da Revolução Industrial, mais especificamente as terceira e quar-ta, e da invenção da internet no contexto da Guerra Fria, o mundo viveu e vive vári-as tranformações, principalmente no âmbito tecnológico. Em concordância a isso, é coerente associar tais mudanças também ao setor educacional, o qual recebe in-terferência direta, evidenciada, por exemplo, no uso cada vez mais constante de tablet e notebook nas aulas. Assim, é mister abordar a evolução social e o atraso cognitivo oriundos da substituição do caderno, para desmistificar esse processo.

A princípio, é válido explorar o avanço social por trás da troca dos cadernos por aparelhos tecnológicos nas salas de aula. Nessa perspectiva, os primeiros dados sobre a escrita humana se deram na Mesopotâmia, em 3500 a.C., e esta era produ-zida em cerâmicas e dominadas somente pelas classes mais altas. Isso demonstra que o acesso às anotações e, inclusive, à alfabetização era algo extremamente se-gragativo e difícil. No entanto, hoje já se dispõem de meios mais práticos e rápidos de escrita, os quais estão de acordo com o nível tecnico-científico da sociedade atu-al, como os tablets e notebooks. Dessa forma, percebe-se que a substituição dos cadernos faz parte da evolução social e evidencia o crescimento tecnológico.

Além disso, é coerente discorrer a interferência intelectual causada pela uso de ferramentas digitais nas salas de aula. Nesse sentido, o sociólogo polonês Zigmunt Bauman, criou o conceito de “Modernidade Líquida”, o qual diz que a sociedade a-tual lida com o cotidiano de forma muito superficial e passageira, influenciada pela tecnologia. Isso resplandece que a internet e derivados ensinaram o imediatismo e instantaneidade das coisas, inclusive do aprendizado. Com efeito, na tentativa de agilizar o ensino, os alunos utilizam de meios como tablets e notebooks, contudo adquirem um conhecimento mais supercificial, haja vista a rapidez no processo. Logo, a substituição em tese, também evidencia um atraso cognitivo nos alunos.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para atenuar o óbice supra-citado. Então, cabe às escolas agir nessa situação de substituição do caderno, por meio do gerenciamento do uso dos aparelhos, como a escolha das aulas nas quais poderão usar e o tempo, para que os alunos utilizem, mas sem prejuízo. Somente assim, as revoluções citadas e a invenção da internet serão uma evolução total.