A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?
Enviada em 01/09/2022
Na obra aristotélica Ética a Nicômaco, o filósofo, ao esboçar a natureza das virtudes, afirma que “em todas as coisas o meio-termo é louvável e o extremos nem louváveis nem corretos, mas dignos de repreensão”. Inquestionavelmente, ao indagar-se acerca da substituição do caderno pelo notebook ou tablet, é lídimo afirmar que a restrição da escrita incorrerá em atraso cognitivo, embora a não utilização de ferramentas tecnológicas também implique malefícios. Logo, de tais extremos, é lúcido buscar um laudável meio-termo como propôs Aristóteles.
Deve-se pontuar de início que a escrita representa um importante aliado a cognição e sua restrição trará consequências ao âmbito intelectual. Tal fato é cientificamente elucidado pelo estudo da Universidade de Montréal, no qual observou-se relevante relação entre caligrafia e melhores conexões neurais. Diante disso, demonstra-se é errôneo substituir a grafia por instrumentos tecnológicos alternativos.
Em contrapartida, excluir o uso da tecnologia do contexto pedagógico ocasionará em prejuízos ao indivíduo exposto a essa situação. Sob essa ótica, vale ressaltar que, hodiernamente, a Quarta Revolução Industrial ascende na sociedade com tecnologia avançada, tornando, dessa forma, a vida do homem inerente a essa realidade. Exposto isto, é notório que abolir a utilização dessas ferramentas acarretará em uma pessoa limitada socialmente.
Portanto, constata-se a necessidade de extrair o meio-termo desse cenário de extremos. Para tal, incumbe ao Poder Executivo por meio do Ministério da Educação - responsável por regulamentar o ensino brasileiro – a elaboração de uma portaria que direcione o uso de tecnologias nas escolas e que, além disso, ratifique a exigência de caligrafia com o intuito dessa não ser sufocada pelo mundo digital. Assim, não só garantir-se-á a preservação da saúde cognitiva do corpo estudantil, mas também o progresso de uma sociedade habituada a nova revolução industrial.