A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?
Enviada em 10/10/2022
Recentemente, o humorista Franklin Medrado publicou em suas redes sociais um vídeo que, apesar de ser jocoso ao abordar o fato de os alunos apenas fotografarem os registros feitos pelo professor, reflete a preocupante realidade de muitas salas de aula brasileiras: a substituição dos cadernos tradicionais por aparelhos eletrônicos. Apesar de possuir um ar de modernidade, esse hábito prejudica a assimilação dos conteúdos, além de fazer com que, cada vez mais, a caligrafia seja prejudicada, por isso é imprescindível saber como associar o caderno às tecnologias digitais, sem excluir nem um, nem outro.
Em primeiro lugar, é preciso estar ciente dos danos ao aprendizado provocados pela prática desse tipo de registro. De acordo com a Dr.a Taís Coelho, professora de neurociência aplicada à educação, quando o aluno fotografa o conteúdo, existe uma perda na qualidade dos registros cerebrais, ou seja, o estudante não aprende com a mesma qualidade do que quando faz registros manuscritos. .
Além disso, é perceptível que a falta de hábito de escrever à mão prejudica a caligrafia, a qual, mesmo parecendo desnecessária nesse mundo tecnológico, ainda possui seu valor e ainda é cobrada em vestibulares e concursos, por isso não pode ser abolida da vida escolar.
No entanto, a era tecnológica continua em expansão e é inevitável que aparelhos eletrônicos adentrem às salas de aula. Portanto, é imprescindível que o Ministério da Educação em parceria com os estados e municípios promova a conscientização da comunidade acerca dos benefícios de escrever à mão, seja por meio da capacitação docente e/ou de campanhas publicitárias.
A primeira, sobre neurociência aplicada à educação, poderia ser feita nas escolas, proporcionando embasamento cietífico aos argumentos dos professores para desmistificar a ideia de que escrever à mão é uma espécie de castigo. A segunda teria como foco a comunidade, trazendo informação com o objetivo de que o digital e o analógico possam se complementar e, juntos, melhorar a qualidade de formação dos educandos para que cheguem cada vez mais preparados aos vestibulares e ao mercado de trabalho.