A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?
Enviada em 05/11/2022
A artista alemã Erma Bossi eternizou ideias futuristas de máquinas tecnológicas para aprendizado instantâneo de seus concidadãos, em pinturas de estilo expressionista. No entanto, longe de serem peças de ficção que se tornaram verdade, epistemologicamente falando a literal substituição de cadernos por notebooks e tablets não representam uma etapa intermediária até a fantasia de Bossi, mas um atraso cognitivo. Sendo assim, cabe a observação acerca dos fatores que favorecem a questão, com ênfase no abandono da escrita pela digitação e no costume acelerado com o instantâneo.
Sob essa ótica, pode-se destacar, a princípio, que o abandono da escrita pela digitação é um fato preponderante para a ocorrência dessa problemática. Isso acontece porque, segundo o professor Pierluigi Piazzi, ninguém está estudando sem um lápis ou caneta na mão, como que talhando letras nas tábuas rochosas da mente. Além disso, longe de ser uma infeliz metáfora, um grupo de pesquisadores do The Journal of Leading Disabilities comprovaram a tese do envolvimento diferenciado da mente, na escrita, junto ao incremento da compreensão do tópico alvo. Dessa forma, a substituição do estudo escrito por digitação ou cliques representa falta de avanço educacional.
Paralelo a isso, vale ressaltar que o costume com o instantâneo vai de encontro com os problemas relacionados à temática. Nessa perspectiva, o epistemologista Corwin Prescott aponta em sua obra literária “Modern Epistemology” que, como um paradoxo, o conhecimento necessita de práticas manuais e repetitivas para além do entender: apreender. O estudo, portanto, é um fenômeno ou atividade que não tende nem pode ser levado a instantaneidade. Dessa forma, é de se esperar um choque entre o estudo e o resto da vida cotidiana.
Portanto, medidas são necessárias para resolver esse problema. Por isso, o Ministério da Educação deve, por meio de PEC, adicionar à grade curricular do ensino fundamental dois e médio, matéria sobre epistemologia a fim de que, ao se ensinar como o estudo se dá, possa-se bem utilizar a tecnologia quando e como possível, atingindo uma nova etapa da educação. Dessa forma, segundo Pierluigi Piazzi, o Brasil terá tantos estudantes quanto tem alunos.