A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?

Enviada em 03/11/2022

A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasi-leiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado na prática quando se observa a substituição do caderno por “notebooks” e “tablets”. Pois, a ausência de medidas governamentais para implementar a tecnologia nas escolas em conjunto com os males à saúde que essa implementação pode causar, dificultam deste mo-do, a universalização desse direito social tão importante. Diante disso, faz-se impe-riosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais pa-ra combater o problema. Nesse sentido, a falta de investimento em educação aca-bará prejudicando os estudantes das escolas públicas, onde o Estado não dispo-nibilizará “notebooks’’ e “tablets” para as instituições, levando o não acesso da tec-nologia aos alunos, diferente da rede privada em que seus acadêmicos terão o acesso, ocasionando o aumento da desigualdade social. Logo, segundo as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do ‘‘contrato social’’, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação.

Ademais, é fundamental apontar os males à saúde como impulsionador da pro-blemática. Dessa maneira, o uso excessivo dos eletrônicos pode ocasionar proble-mas para a saúde como dores na coluna, alterações na visão, além do incentivo ao vício, tão recorrente nos jovens. Segundo Steve Jobs, ‘‘a tecnologia move o mundo’’. Porém, só moverá se for corretamente usada.

Conclui-se que, a substituição de cadernos por “notebooks” e “tablets” é um atra-so cognitivo. Portanto, é necessário combater esses obstáculos. Para isso, o Estado não deverá adotar e incentivar a substituição dos cadernos pelos aparelhos, mas se adotar, que seja de garantia que todas as escolas da rede pública recebam a tecnologia e o acompanhamento médico para os discentes, a fim de que não ocor-ra a desigualdade social e os males à saúde. Assim, se consolidará uma sociedade mais democrática, onde o Estado cumpre corretamente seu “contrato social”, tal como afirma Locke.