A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?
Enviada em 20/10/2022
Segundo a Lei da Inércia, de Newton, um corpo tende a permanecer estático quando nenhuma força é exercida sobre ele. Dessa forma, podemos perceber a mesma situação no que tange ao atraso cognitivo provocado pela substituição dos cadernos por notebooks e tablets nas escolas, a qual se perpetua inerte devido a fatores como irrelevância social e ao silenciamento midiático.
Conforme o conceito de ‘‘Banalidade do Mal’’, cunhado pela filósofa Hannah Arentd, quando uma problemática ocorre de forma constante, a sociedade passa a enxerga-la como normal. Desse modo, isso evidencia a irrelevância social acerca dos malefícios causados pela troca da escrita no papel por laptops dentro da sala de aula, configurando a trivialização da maldade, o que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Nesse viés, percebe-se que, o prejuízo na aprendizagem acarretado pelo uso de computadores e tablets durante as aulas foi algo amplamente normalizado, já que, grande parte das instituições de ensino aderiram o metódo pela praticidade. Como consequência, - de acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts- o desempenho acadêmico dos alunos nas atividades e exames, decresce com o tempo.
Ademais, segundo o filósofo Pierre Bordieu, o que foi criado para ser instrumento da democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse sentido, em vez de promover debates que elevem o nível de informação sobre o atraso cognitivo causado pela substituição do caderno pelos notebooks, infelizmente contribui para o silenciamento midiático, visto que, em redes sociais, programas de TV, não há debates satisfatórios para estimular o senso crítico, dado que essas plataformas abordam o tema de forma superficial. Consequentemente, a ignorância a respeito do assunto permite que o uso de laptops durante as aulas continue de forma indiscriminada.
Portanto, cabe a ONGS pedagógicas, criarem campanhas informativas em parceria com plataformas de ‘‘streaming’’, como Youtube e Tiktok. Tal ação deve ocorrer por meio de curta-metragens e vídeos lúdicos sobre o tema. Por fim, isso teria afinalidade de remediar, não só a banalidade do mal, de Arendt, mas também Bordieu.