A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?

Enviada em 09/11/2022

A Quarta Revolução Industrial trouxe um fenômeno único e imparável para os dias atuais. A união do físico com o virtual, em larga escala, facilita o cotidiano das pessoas e torna diversas tarefas mais rápidas e dinâmicas. Nesse sentido, é lógico constatar um paradigma: O mundo virtual está substituindo o físico. Entretanto, a troca dos cadernos por notebooks é o início de uma dicotomia, a sociedade evolui as ferramentas utilizadas no âmbito educacional, porém, há um atraso nas capacidades cognitivas do ser humano.

Primeiramente, é crucial destacar os pontos positivos dessa situação para o corpo social. De acordo com o educador Paulo Freire, a educação libertadora acontece quando o indivíduo cria conhecimento a partir da própria base de pensamento, ou seja, ter informação ilimitada ao alcance é um facilitador direto para esse método. Dessa maneira, pode-se contatar a importância da tecnologia para a educação, prover outros meios de obtenção de conhecimento facilita o trabalho de professores e evita o engessamento do ensino.

Por outro lado, a imensa fluidez proporcionada pelos notebooks afasta o interesse pelos meios tradicionais de escrita e leitura. Assim, a falta de tecnologia gerará dificuldades nunca antes experimentadas, a dependência dos meios digitais está criando raízes na sociedade, como dito pela filósofa e escritora Hannah Arendt, “O pior mal é aquele que está no cotidiano”. Destarte, é fundamental manter os meios convencionais em uso, para evitar a sujeição exacerbada à tecnologia no futuro.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável por ações diretas no sistema educacional -, juntamente com as escolas, desenvolver uma cartilha amparadora do uso de tecnologias em sala de aula, mas, sem excluir o uso dos cadernos. Desse modo, por meio do incentivo criado no ambiente escolar, será possível moldar uma sociedade equilibrada entre o uso do meio virtual e físico, separadamente, para não abrir margem à dependência digital.