A substituição do caderno por notebooks e tablets: evolução ou atraso cognitivo?
Enviada em 26/09/2023
A Constituição Federal de 1988 (CF88) prevê que todos os brasileiros tenham acesso à educação de qualidade. Dentro desse panorama, em uma sociedade cada vez mais permeada pela tecnologia, dilemas relacionados à substituião do caderno por notebooks e tablets colocam em xeque a contradição existente entre evolução e atraso cognitivo.Tal situação relaciona-se à adaptação dos cidadãos a novos hábitos além da construção social de maximizar a produção individual. A discussão desses problemas faz-se essencial para que se cumpra o previsto na Constituição.
De início, é válido destacar que em um mundo permeado pela tecnologia, indivíduos são acostumados a depender dela. Essa situação ocorre, pois, de acordo com o filósofo John Locke, o ser humano é moldado de acordo com a realidade que vive. Dessa maneira, com a evolução da tecnologia a substituição do caderno por notebooks e tablets torna-se natural, já que faz parte da nova realidade vivenciada pelos seres humanos. Portanto, faz parte da evolução social a troca de antigos hábitos, como o uso de cadernos, por novos que se adaptem à realidade tecnológica atual.
Ademais, a maximização da produção inidividual é valorizada na contemporaneidade e auxiliada pela troca do escrito pelo digitado. Tal ocorrência é explicada pelo sociólogo Byung-Chul Han ao analisar que na sociedade atual, definida como “do desempenho”, a produção individual é valorizada em detrimento do aumento de seu ritmo.Desse modo, a troca de cadernos por equipamentos digitais não pode ser caracterizada como atraso cognitivo, vez que é apenas um auxílio para os indivíduos encaixarem-se no modelo estipulado pela sociedade. Sendo assim, para ter um desempenho positivo na sociedade atual, é eficaz o uso das novas tecnologias que facilitam a rotina dos cidadãos.
Logo, faz-se necessária ação do Ministério da Educação, em parceria com empresas privadas de tecnologia, como Samsung e Asus, para distribuir aparelhos tecnológicos para alunos de instituições públicas de ensino. Tal distribuição deve ser feita diretamente nas escolas e acompanhadas de palestras para orientar o uso correto dos aparelhos, para assim, a adequação dos estudantes à sociedade do desempenho e melhoria no cumprimento da CF88.