A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 11/05/2022
Ao longo da história, a unidade familiar foi objeto de diferentes entendimentos em relação a sua importância na sociedade. Nesse sentido, se na Pré-História o grupo familiar agia para a preservação da vida, na sociedade moderna a família ganhou novos contornos, com objetivos como a perpetuação de poder e status. No entanto, diante de sua inegável valorização, evidencia-se que problemas no interior do ambiente familiar são negligenciados, sendo fundamental a discussão sobre as origens dessa valorização, assim como os impactos sociais desse processo na contemporaneidade.
Primeiramente, é imperioso destacar que o conceito de família ganhou novas roupagens à medida em que os valores sociais tornaram-se mais complexos. Como exemplo disso, o filósofo Luc Ferry, no livro “Aprendendo a viver”, descreve que a sociedade grega via na unidade familiar a possibilidade da perpetuação do poder, o que seria, em última instância, a resposta à própria fugacidade da vida. Já com a formação dos Estados Modernos, revelou-se a importância familiar com a especial proteção concedida pelo Estado por meio de seus códigos - no Brasil, o artigo 226 da Constituição assegura que a família é a base de sociedade.
Segundamente, é inexorável a associação da família no Período Contemporâneo aos novos valores libertários. Essa necessidade é explicada em razão de que, com a liberdade sexual, as sociedades ganharam o fato social da gravidez indesejada, o que implica diretamente na relação familiar. No Brasil, os últimos acontecimentos de violência doméstica estão associados à mal formação familiar - o caso da criança Isabella Nardoni revelou o ciúme da parceira de seu pai, o que culminou em seu assassinato. Dessa meneira, a valorização dos laços sanguíneos acaba por mascarar esses problemas,
Torna-se evidente, portanto, a importância da boa formação familiar para a convivência harmônica de seus indivíduos. Assim, propõe-se às instituições sociais - escola, igreja - a realização de programas para a valorização da união estável, para que, mediante o nascimento do filho desejado, haja harmonia no seio familiar. Essa medida poderá ser implementada por meio de propostas de trabalhos escolares e serão a semente para o nascimento de sociedades mais sadias.