A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 08/06/2022
Os personagens Charlie e Alan, da série “dois homens e meio”, recebem um péssimo tratamento da mãe deles, sendo humilhados e destratados por ela. Porém, eles aceitam os maus-tratos a fim de preservar as relações com aquela que os gerou. Fora da ficção, na realidade brasileira, tal comportamento é comum devido a supervalorização dos laços sanguíneos, o que leva a sociedade a ignorar esses problemas familiares, como o citado na obra. Além disso, a cultura histórica e a dependência emocional dos maltratados contribuem com a manutenção desse cenário.
É importânte pontuar, primeiramente, que a cultura instaurada no Brasil é responsável por essa problemática. De acordo com o sociologo Émilie Durkheim, a sociedade é permeada por regras, normas e valores que obrigam os indivíduos a agirem de acordo com determinados padrões culturais. Nesse sentido, a fim de não contrariar a supervalorização da família, o indivíduo opta por não cortar as relações com o parente “tóxico”. Por consequência, o imaginário da vítima desse parente é afetado pelas ofenças e palavras de derrota, causando danos psicológicos graves como complexo de inferioridade, ansiedade e depressão.
Ademais, é relevante abordar que as vítimas desses familiares são dependentes financeiros deles. Segundo o empresário e professor Ícaro de Carvalho ter dinheiro é bom porque lhe dá liberdade. Nessa lógica, por não terem fonte de renda, muitas pessoas não tem outra opção senão se sujeitar aos algozes de sua família. Dessa forma, maus tratos e os danos causados por eles fazem com que essa pessoa tenha dificuldade de se capacitar em alguma área, impossibilitando a obtenção de renda por meio de um emprego.
Visto isso, fica evidente a necessidade de medidas para reverter essa situação. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, por meio da disponibilização de consultas psicológicas gratuitas, instrua as pessoas para cortar os laços com os familiares tóxicos, explicando que os danos à saúde mental causados pela manutenção dessas relações são piores que descumprir normas culturais. Além disso, aqueles que não possuem condições financeiras receberiam tratamento para atenuar os danos causados. Dessa maneira, as raízes culturais seriam deixadas pra trás.