A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 12/05/2022
Definida sociologicamente como um mecanismo vital de socialização, na socieda- de brasileira,a família possui a função de proporcionar o desenvolvimento cultural e material das novas gerações. Entretanto, há situações em que essa idealização invisibiliza uma questão recorrente: os problemas socioemocionais originados pela ocorrência de atritos entre pessoas ligadas por laços sanguíneos. Com o fito de su-perar a conjuntura exposta, convém pontuar as heranças culturais e os fins mer- cadológicos como os principais corroboradores desse impasse.
Frente a tal panorama, evidencia-se a o desprezo da sociedade para com os pro- blemas familiares sob um prisma histórico-cultural. Nessa perspectiva,vale ressal- tar que,durante o Período Colonial,o corpo social era marcado pelo patriarcalismo, no qual os pais deveriam educar os filhos de acordo com os valores culturais vi- gentes. Consequentemente, no cenário atual, ainda há cidadãos defensores da ideia de que os mais jovens devem se submeterem à vontade dos seus genitores. Sendo assim,o pensamento conservador, ao desvalorizar certas disposições indivi- duais das crianças, acaba por fortalecer as desavenças entre parentes.
Ademais, as finalidades consumistas também potencializam a problemática de- batida. Conforme o sociólogo Jean Baudrillard, uma das estratégias da publicidade consiste em obscurecer as mazelas presentes na realidade. De fato, várias marcas de bens de consumo tentam associar suas mercadorias ao “momento em família”, objetivando atrair o público. Dessa forma,a mídia,em vez de dar visibilidade aos casos de instabilidades das famílias,obscurece os temas relacionados a problemas psicológicos causados por essas ocorrências.
Portanto,diante das dificuldades apresentadas,cabe às instituições educacionais, a fim de romper a invisibilidade dos tabus familiares,proporcionar a disseminação de conhecimentos sobre esse revés. Tal projeto será concretizado, por meio de pa- lestras ministradas por psicólogos e educadores capazes de debaterem sobre as instabilidades entre parentes. Outrossim, é mister que a mídia, em parceria com o Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA), ofereça aos telespecdores discursões sobre os jovens afetados por desavenças entre indivíduos interligados por laços sanguíneos.