A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 12/05/2022
No livro “Campo Geral”, de Graciliano Ramos, um menino chamado Minguilin é duramente espancando pelo seu pai abusivo e fica gravemente doente após a agressão. Analogamente à obra, muitas crianças brasileiras são submetidas a esse convívio familiar tóxico, onde os próprios pais agridem os filhos, não com a inten-
ção de corrigir, mas com a de machucar.Sob esta ótica, é necessário que o bem-estar físico e mental das crianças esteja acima de qualquer relação familiar e que a sociedade não veja os laços sanguíneos como carta-branca para maltratá-las.
Em primeiro lugar, a sociedade deve priorizar o bem-estar físico e mental das crianças sob qualquer circunstância.Nesse sentido, é notório que a sociedade não vem fazendo um bom trabalho nesse propósito, pois ainda há muitas situações em que um infante é encontrado em situação de vulnerabilidade e constatado que ele era diariamente agredido e humilhado por seus pais, e que era submetido a trabalhos domésticos forçados e privado de sua infância, Essa situação é ainda mais agravante porque o Art. 227 da Constituição Federal assegura que todas elas estão a salvo de humilhações e agressões físicas.
Em segundo lugar, ser pais não é ter carta-branca para humilhar e espancar os filhos.Em alguns casos, os adultos não sabem o limite entre bater para corrigir e bater para machucar, pois muitas vezes eles estrapolam e acabam ferindo o inocente, ao invés de conversar e corrigí-los pelo diálogo.Em outros casos, os pais espancam e humilham seus filhos porque simplesmente pensam que por serem os progenitores têm o direito de tratá-los de qualquer jeito.
Portanto, urge que medidas sejam tomadas para que as crianças brasileiras estejam livres de maus-tratos provocados por familiares tóxicos.Logo, cabe às escolas em conjunto com o Estado, de maneira firme, prover mais segurança aos infantes e mais punições aos agressores, por meio da averiguação da saúde física e do comportamento dos alunos, e pela criação de leis mais punitivas. Essas averiguações são passagens periodícas pelo psicólogo e pelo médico contratado pela escola a fim de averiguar o estado deles e certificar que estão bem.Essas medidas têm por efeito diminuir os casos de agressão às crianças pela família.