A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 13/05/2022

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não se reverbera com ênfase na prática quando se observa a supervalorizacao dos laços sanguíneos em detrimento da saúde mental, dificultando, deste modo a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater as relações tóxicas nas famílias. Nesse sentido, um dos deveres do estado é garantir o direito a saúde, incluindo a saúde mental, conquanto sua ineficiência em combater relações tóxicas coloca seus cidadãos em situação de vulnerabilidade em relação a abusos mentais e físicos no ambiente familiar. Essa conjuntura, seguindo as ideias do filósofo contratualista Jhon Locke configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a organização familiar vigente como impulsionadora do problema no Brasil. Segundo Eduardo Name Risk, essa visão atual de “tudo pela familia” é algo recente e não um padrão na história da humanidade. Diante de tal exposto, se torna evidente a possibilidade de mudança para um modelo mais saudável mentalmente falando e nesse sentido, a possibilidade se torna uma necessidade para se obter uma sociedade melhor. Logo ,é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da saúde, Ministério responsável pela saúde no Brasil por intermédio de campanhas de conscientização e acompanhamento psicológico de famílias em situação de vulnerabilidade torne a sociedade brasileira uma comunidade mais saudável psicologicamente falando. Assim, se consolidará uma sociedade mais saudável, onde o estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma Jhon Locke.