A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 15/05/2022
Por milênios, o ser humano como animal social desenvolveu diversas instituições subjetivas para permitir a vida em sociedade, como corroborado pelo autor Yuval Harari em sua obra “Sapiens”. Considerando a família como uma dessas formas de adquirir as habilidades de socialização, as sociedades modernas as tem como garantia de uma suposta adequação do indíviduo à comunidade, na medida que em tese ela compriria o papel de providenciar amor, responsabilidade e ética, em troca do compromisso com a própria. Urge então a necessidade de analisar se esse pensamento é correto e inerente, assim como citar os pontos que permitem aprimorar esse conceito de forma mais adequada com a contemporâneidade.
Nesse contexto, é possível analisar grupos indígenas como os Krahô, nos relatos de antropólogos como Levi-Strauss para entender que mesmo os laços familiares sendo presentes, muitas vezes eles se destacam de forma diferente do pensamento ocidental, isto é, a poligamia, o incesto, e outros tabus são comuns, na medida em que os costumes e os valores desses povos não sejam ultrapassados. Tal ideologia contradiz os pensamentos do filósofo Thomas Hobbes na medida em que nega a naturalidade do conceito de “família” como estrutura estática e natural, o que corrobora com a fluidez, levando a base de liquidez das relações de Bauman.
Tendo isso em vista, conceber os laços familiares como passíveis de mudança possui lados positivos como a possibilidade de melhorá-los e adaptá-los aos avanços sociais e científicos da Terceira Revolução Industrial. Desse modo, as problemáticas referentes ao pouco cuidado psicológico dos parentes devem ser consideradas como prioridade não apenas no social, mas em âmbitos médicos e psicológicos. Essa capacidade de tratar empiricamente parentes e seus métodos de criação as vezes deturpados é uma das qualidades da ciência moderna.
É essencial, portanto, capacitação de profissionais e o desenvolvimento de formas de tratamento para parentes que possuam viéses psicológicos, criados pelo Ministério da Saúde através de palestras e convênios científicos, com estatísticas voltadas a garantir a saúde dos filhos e dos próprios pais. Só assim será criada uma realidade onde as crianças viveriam em segurança dentro e fora de suas casas.