A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 21/07/2022

“Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”- esse é um dito popular muito difundido na sociedade brasileira. Contudo, há quem repita essas palavras sem se ater ao problema contido nela, a saber, a omissão. No tocante a supervalorização dos laços sanguíneos por exemplo, infelizmente, é comum se valer do parentesco tanto para praticar quanto para esconder atos abusivos contra alguém da família. Em consequência disso, tem- se uma sociedade composta por cidadãos fragilizados, o que poderá ser evitado com a crescente participação de todo o conjunto social.

A princípio, sabe-se que a família enquanto Instituição Social primeira adquiriu grande prestigio e relevância na coletividade, é nela que, em geral encontra-se, a segurança, o respeito e o amor. Todavia, não se pode desconsiderar a existência de violências, abusos e maus- tratos também nas relações consanguíneas. Nesse contexto, o recente caso do menino Henri, que alcançou proporções nacionais, atesta quão fatal pode ser apoiar-se no parentesco para assegurar a proteção de outros, isso porque, o homicídio do garoto, segundo a justiça, foi praticado pelo padrasto e consentido pela mãe. Nesse sentido, o livro – Sociedade da Cegueira cujo escritor é Saramago- traz uma crítica à sociedade que escolhe a indiferença e a omissão como parte da vida das pessoas e sintetiza esse cenário com a frase ‘ Se queres ser cego, sê- lo-ás’’. Analogamente, todas as vezes em que a sociedade opta pela omissão e por se manter alheia às violências que ocorrem em seu entorno, sob a premissa de se tratar de um contexto familiar e, portanto, exclusivo, ela está escolhendo para si a cegueira e a indiferença, ao invés de buscar a denúncia e a advertência como solução para atrocidades como as que ocorrem.