A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 20/05/2022
Segundo a filósofa francesa Simone De Beauvoir, o mais escandaloso dos escândalos dos escândalos é que nos habituamos a ele. Similarmente à supervalorização dos laços familiares em detrimento da possibilidade da existência da toxicidade no ambiente, pois por mais escandalosa que seja a ocorrência dessa problemática, a sociedade contemporânea se habituou a essa realidade. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a falta de debate, bem como a lenta mudança na mentalidade social.
Em primeira análise, a falta de debate mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre o problema, as diversas vítimas continuarão sofrendo com as consequências negativas como a presença de transtornos psicológicos.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a lenta mudança na mentalidade social. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência uma sociedade ignorante que generaliza o problema e prevalece o sentimento de insegurança coletiva no que tange a supervalorizar o ambiente familiar do que a saúde mental dos indivíduos inseridos.
Convém, portanto, que, de modo urgente, que medidas sejam tomadas. Logo, é preciso que as escolas, em parceria com a mídia brasileira, incentivem rodas de leituras e discussão no ambiente escolar e familiar. Os diferentes meios de comunicação podem ser usados para divulgar informações e entrevistas com profissionais sobre o assunto, a fim de que mais pessoas alcancem a compreensão do problema. Em suma, é preciso que se aja sobre o problema, pois, como defendeu Simone de Beavouir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos”.