A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 16/05/2022
O livro Flores para Algernon retrata a vida de Charlie, um adulto de 32 anos deficiente mental, um tema abordado na obra são os maus tratos que o jovem sofre em sua infancia advindos de sua mãe, aquela que a tarefa era amar e respeitar o próprio filho acaba o enchendo de tapas e socos para descontar sua frustração, abuso esse que é ignorado pelo pai e por vizinhos por ser assunto privado da família. Em paralelo há na realidade brasileira a mesma supervalorização dos laços sanguíneos que leva a sociedade a ignorar problemas familiares. Dessa forma, por causa da negligencia estatal e na crença popular de que família é uma propriedade privada, essas consequencias se agravam no país.
Em primeira análise, sob a ótica social, o conceito da família moderna ainda está fortemente ligado a laços sanguíneos, que sangue é família. Por mais que existam novas estruturas familiares, ainda há o conceito europeu que nasceu lá pelo século XVIII que família é uma instituição privada, nesse período que nasce o conceito de intimidade, discrição e isolamento no ambiente familiar, que se distancia da sociedade coletiva e com isso vem a ideia de que todo problema familiar não é pauta social a ser discutida ou questionada.
Ademais, em segundo plano, há a ineficiencia do Estado ao lidar com problemas domésticos, entre agressões, negligencia, abandono e abuso. Onde ocorre de haver denuncias vindas de crianças sobre os pais que são levadas de forma leviana por autoridades, ou normalizadas, um exemplo disso é o abandono.
Portanto, torna-se evidente como uma crença popular e individualista que atua hoje influencia a percepção coletiva, que no caso compõem toda a sociedade brasileira. Para reverter esse cenário, faz-se necessária a abertura de diálogos sobre o ambiente familiar de como deve ou não ser, por meio de campanhas aplicadas por ongs e pelo ministério da mulher, família e direitos humanos em escolas e espaços públicos, que ensinem e incentivem o questionamento sobre situções na família alheia também, para assim promover a não normalização de ambientes tóxicos e a denúncia de casos abusivos.