A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 17/05/2022

Na animação “Lilo e Stitch”, da Disney, é apresentado o conceito de “Ohana”: “significa família, e família quer dizer nunca abandonar ou esquecer”. Contudo, a supervalorização dos laços sanguíneos, descrito pela inseparabilidade na definição fílmica de “ohana”, leva ao descaso de problemas familiares, uma vez que há

um processo de banalização de abusos físicos e a manutenção da indiferença social. Logo, é necessário discutir as consequências da hiperestimação dos vínculos sanguíneos para o indivíduo e para o meio coletivo.

A priori, a supervalorização dos laços familiares perpetua os abusos no núcleo parental. Neste contexto, na trilogia “A seleção”, de Kiera Cass, o Príncipe Maxon, o qual sofre com a violência física, praticada pelo pai, é obrigado a sustentar a imagem de família perfeita para o reino, fato que evidencia o descaso com a violência parental em detrimento das aparências sociais. Por conseguinte, confirma-se um processo de banalização da violência dentro e fora do núcleo familiar, como denunciado pela realidade dos livros, o que afeta a saúde psicológica dos indivíduos, sendo gatilho de doenças como depressão e ansiedade.

Em segunda análise, a hiperestimação dos laços sanguíneos perpetua a indiferença social. Dito isto, analisando o ditado popular “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, percebe-se a construção cultural da indeferença frente a problemas familiares, o que possibilita a ocorrência de abusos entre parentes. Portanto, a postura imparcial da sociedade é sustentada por convenções sociais, como observado pela fala popular, e contribui para o processo de banalização da violência na família em detrimento dos vínculos convencionais, fato que confirma a inércia da sociedade em garantir a segurança dos indivíduos.

Em síntese, a supervalorização dos laços familiares é danosa à vida individual e coletiva. Dessa forma, o Ministério da Família e dos Direitos Humanos, componente do Governo Federal brasileiro, deve, por meio de campanhas, desmistificar a supremacia de vínculos sanguíneos, a fim de quebrar o ciclo de banalização da violência e a inércia da sociedade. Assim, possibilita-se a construção de um meio coletivo proativo e preocupado com a segurança e o bem-estar dos membros do corpo social.