A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 25/05/2022

Pawel Kuczynski, ilustrador e desenhista polonês mostra em suas obras um meio social injusto, falido e com valores distorcidos. De maneira análoga às intenções artísticas do polaco, a postura de muitos brasileiros frente à grande estima pelos laços sanguíneos como justificativa para situações prejudiciais é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática da supervalorização dos laços sanguíneos em detrimento aos problemas familiares, seja pela desinformação, seja pelos preceitos relacionados à família.

É indubitável que a falta de informações esteja entre os fatores desse dilema. Segundo Aristóteles, a constância entre a ordem e a justiça constitui os pilares da sociedade. Desse modo, a má gestão pública rompe com esse equilíbrio, haja vista que situações de abusos físicos e psicológicos são, infelizmente, omitidos no seio da família e, por consequência, os familiares saem impunes de seus crimes, uma vez que as vítimas acreditam que devem aceitar situações problemáticas. Logo, medidas devem ser tomadas para a mudança desse quadro.

Por conseguinte, as condições preestabelecidas pela instituição familiar coadjuva com o problema. Nesse contexto, de acordo com Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e pensar. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a existência de uma doutrina familiar se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que o homem, exposto a comportamentos tóxicos, tende a adotá-los também por conta da vivência em grupo. Assim, a continuação do pensamento que justifica a toxicidade nas relações familiares em razão dos laços sanguíneos, transmitidos de geração em geração, perpetuam esse problema no Brasil.

Entende-se, portanto, a necessidade de implementação de medidas frente à problemática da alta consideração dos laços de sangue como justificativa para a geração de sofrimento na família. Em suma, faz-se necessária a atuação do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em parceria com os meios midiáticos, na criação de propagandas, estratégia de alto acesso, a fim de incentivar a não-normalização das práticas abusivas no ambiente familiar. Desse modo, poder-se-á criar um ideal de nação diferente daquele proposto por Pawel.