A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 27/05/2022

A animação da Disney “Red: crescer é uma fera” é narrada pela protagonista, uma garota de 13 anos, que introduz o filme discorrendo sobre a importância de retribuir todo o esforço dos pais, honrando-os fazendo tudo o que eles pedirem. Longe da ficção, a supervalorização dos laços sanguíneos tem levado a sociedade a ignorar problemas familiares, muitas vezes trazendo prejuízos, principalmente psicológicos, às vítimas. Sob essa perspectiva, cabe discutir sobre a herança do ideal construído sobre as relações familiares, bem como os impactos que esta questão tem trazido para a sociedade, a fim de mitigar os impactos desta problemática no Brasil.

Nesse contexto, a herança do ideário de que apenas bons sentimentos devem estar relacionados aos laços familiares se apresenta como principal causa para a continuidade desse cenário. Dessa forma, ao receber um tratamento abusivo por parte dos pais, as crianças tendem a reproduzir isso, levando esta característica para a fase adulta. A respeito disso, segundo Zygmunt Bauman, “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”, logo, enquanto não houver uma reação e os adultos continuarem a reproduzir o comportamento dos pais com a próxima geração, não haverá mudança neste pardigma.

Em seguida, cabe salientar a respeito dos impactos da questão na sociedade. Sob esse olhar detacam-se os transtornos desenvolvidos pelas vítimas de um ambiente familiar tóxico, entre os quais estão: ansiedade, insegurança e depressão, bem como um vazio existencial provocado pela falta de afeto. Tais situações tem impacto ainda mais profundo pois influenciam na vida profissional destas pessoas, visto que tornam- se crenças limitantes do sucesso dos mesmos. Ainda sobre este tópico, segundo o youtuber Arly Cravo, estudioso do comportamento humano, “A maior crença limitante é acreditar que as coisas são do jeito que apenas estão”, o que leva as vítimas a não buscarem mudar e charem que está tudo bem assim.

Isso posto, observa-se a necessidade de mitigar as questões relacionadas a supervalorização dos laços snguíneos e sua inflência na relativização dos problemas familiares