A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?
Enviada em 23/05/2022
Os laços familiares são fundamentais para o desenvolvimento do ser humano e de uma boa convivência social, mas a supervalorização desses laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares e enraizar padrões tóxicos em famílias. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes a serem discutidos: a internalização de regras sociais e a desinformação acerca das relações tóxicas.
Em primeira análise, evidenciam-se as regras sociais como principais fatores para a supervalorização de laços sanguíneos e aceitação de problemas familiares . Sob essa ótica, a psicóloga e youtuber, Anahy D’Amico, comenta em um de seus vídeos que o ser humano é ensinado a ter laços sanguíneos duradouros e vitalícios e por isso são toleradas atitudes prejudiciais, formando a imagem de que família pode tudo. Dessa forma, as famílias tendem a passar de geração para geração comportamentos que afetam o desenvolvimento pleno do indivíduo, trazendo inúmeras consequências, como a falta de confiança, baixa autoestima e até mesmo depressão. Portanto, a aceitação de desrespeitos e comportamentos tóxicos é uma regra social que deve ser reavaliada.
Além disso, é notório que a desinformação sobre relações abusivas familiares contribui para a omissão aos problemas domésticos. Desse modo, o escritor Bernardo Morais, expõe: “A revolução começa com a informação e termina com o resultado”. Consoante a isso, o conhecimento e a conscientização sobre a manipulação, violência psicológica e outros comportamentos tóxicos permitem que o indivíduo fique ciente dos abusos que sofre, podendo evitá-los ou evitar possíveis traumas no ambiente familiar, o que seria impossível se houvesse falta de conhecimento sobre o assunto.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham a ameninzar a supervalorização de laços sanguíneos e omissão de problemas familiares . Dessa maneira, cabe ao Ministério da educação, responsável pelo sistema educacional, em conjunto com a sociedade, informar e melhorar os comportamentos abusivos nas famílias, por meio de palestras e disponibilização de terapias gratuitas, a fim de que sejam mudados padrões tóxicos no ambiente doméstico.