A supervalorização dos laços sanguíneos leva a sociedade a ignorar problemas familiares?

Enviada em 27/05/2022

O estatuto da criança e do adolescente (ECA) determina, em seu quarto artigo, que a convivência familiar é imprescindível para o desenvolvimento e o bem-estar do indivíduo. Consoante a isso, a supervalorização dos laços sanguíneos é um problema que induz a sociedade a ignorar os impasses familiares. Nesse prisma, destacam-se como causa e consequência, os valores socioculturais e os transtornos psicológicos.

Primeiramente, evidenciam-se os valores socioculturais como uma das causas desse problema. Dessa forma, segundo o filósofo Émile Durkheim, a família é a base de todas as relações sociais. Devido a esse tipo de pensamento, muitos indivíduos acabam aceitando “atitudes tóxicas” de seus familiares, como manipulações e ameaças, que não seriam aceitas se viessem de amigos, por exemplo. Em virtude dos fatos mencionados, fica claro que há uma supervalorização dos laços sanguíneos.

Além disso, as pessoas que convivem em um ambiente familiar tóxico, na maior parte das vezes, desenvolve transtornos psicológicos. Sendo assim, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, os indivíduos se submetem a sair de seu estado de natureza para viverem em melhores condições. Por outro lado, normalmente, as vítimas se sentem culpadas por atitudes tóxicas que seus familiares tomam, esse sentimento de culpa, em boa parte das vezes, ocasiona problemas mais sérios ainda, como ansiedade e até mesmo depressão. Em suma, seria mais saudável se retirar do “ambiente natural”, no caso o ambiente familiar, para viver em melhor condição psicológica.